“Agora lábios meus, dizei e anunciai
Os grandes louvores da Virgem mãe de Deus…”
No seio da cidade do mistério
O corpo santo outra vez sangrou
Na noite escura o Tabuleiro Grande
Sob a luz tênue das velas chorou
O coro das beatas noite adentro
Lamentam a morte do seu Salvador
E o Lúgubre poema em sinfonia
Compõe a Ode ao sacrifício e à dor
Refrão 2x:
Ave Maria de tantas dores
Madona preta sanguínea
É Madalena colhendo pedras
Santa invisível no seu penar
O sangue derramado nas palavras
O lenço branco esconde em seu alvor
Imagem apagada na memória
Maria de Araújo e da dor
Não teve paz depois da sua morte
Na madrugada o crime e o horror
Levaram os restos da beata pobre
Nossa memória será seu andor
Refrão 2x
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quinta-feira, 30 de abril de 2026
Sanguínea
CRATERA
Missão Miranda verde Serra
De pedra e água chão forjado
Brota no seio dessa terra
A liberdade bem sagrado
Heróis e mártires espreitam
Com seus olhares congelados
E os poderosos se deleitam
Com a dor dos desafortunados
Onde havia paz Caldeirão: Cratera
Onde havia a terra e o pão: A Fera
Onde a cova é rasa e o chão: Quimera
Onde bate a foice e o facão: Cratera
Não coma a carne do boi manso
Não conte as contas do rosário
De trabalhar eu não me canso
A terra dura é o meu calvário
Vem pelo céu a matadeira
Nas asas negras do avião
Ao seu comando a ceifadeira
Semeia a morte no Sertão
Refrão
Madame Blavatsky
“Não há religião superior à verdade”
Helena teus olhos profundos cansados
Escondem segredos mistérios passados
Tua luz no Oriente está
A verdade que procuras
No silêncio mora a tua lei
A verdade que procuras
Doutrinas secretas discreta revelas
Nos livros dos magos os astros despertam
A razão busca a revelação
Nos afasta todo mal
O caminho está no coração
Nos afasta todo mal
No incenso purifica tua alma
Na fu-ma-ça
O mercúrio clarifica a visão
Des-ti-la-ção
Um incêndio toma conta do teu peito
Trans-mu-ta-ção
No astral encontraremos a verdade
Re-ve-la-ção
Bala perdida
Rasga o céu
Levando a desgraça
Risca a pessoa
Some do mapa
Perdidamente
Voa de graça
Na pele preta
Fecha a caçapa
Traz a discórdia
Nos ameaça
Faz o seu ninho
No rabecão
Ave agourenta
Fria rapina
Voa bem longe
Da multidão
Qual o destino
Do sem destino
Preto favela
Alvo padrão
Desigualdade
Prepara o tiro
Nação calada
Pobre no chão