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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Sanguínea



“Agora lábios meus, dizei e anunciai
Os grandes louvores da Virgem mãe de Deus…”

No seio da cidade do mistério 
O corpo santo outra vez sangrou 
Na noite escura o Tabuleiro Grande 
Sob a luz tênue das velas chorou 

O coro das beatas noite adentro 
Lamentam a morte do seu Salvador 
E o Lúgubre poema em sinfonia 
Compõe a Ode ao sacrifício e à dor 

Refrão 2x:
Ave Maria de tantas dores 
Madona preta sanguínea 
É Madalena colhendo pedras 
Santa invisível no seu penar 

O sangue derramado nas palavras 
O lenço branco esconde em seu alvor 
Imagem apagada na memória 
Maria de Araújo e da dor

Não teve paz depois da sua morte
Na madrugada o crime e o horror 
Levaram os restos da beata pobre
Nossa memória será seu andor 

Refrão 2x

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